A DIREITA ÓRFÃ

O ocaso do mito e a orfandade da direita: Cenários para 2026

Por Análise Política | Novembro de 2025

​O final de 2025 marca, talvez de forma definitiva, o encerramento de um ciclo na política brasileira. Com a prisão  de Jair Bolsonaro em novembro e a confirmação de sua inelegibilidade até 2060 pelo Supremo Tribunal Federal, a direita brasileira se vê diante de seu maior teste de sobrevivência: como existir e competir sem a figura onipresente de seu líder máximo?

​Enquanto a oposição tenta recolher os cacos de uma liderança decapitada judicialmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva caminha, com pragmatismo e números favoráveis nas pesquisas, para uma reeleição!

​A Fragilidade do "Personalismo"

​A maior fraqueza da direita brasileira atual não é ideológica, mas estrutural. Ao longo da última década, o conservadorismo brasileiro foi fagocitado pelo "Bolsonarismo". Partidos, pautas e militância giravam não em torno de um programa, mas de uma pessoa.

​Com Bolsonaro retirado do tabuleiro — primeiro pela inelegibilidade e agora, fisicamente, pelo cárcere — a fragilidade desse modelo ficou exposta. O que se vê não é uma transferência automática de votos, mas uma disputa fratricida pelo espólio político. A comoção inicial da base radical nas redes sociais esconde uma realidade fria nos bastidores de Brasília: o "Centrão" e a direita pragmática já começaram a virar a página.

​A dependência excessiva  de Bolsonaro deixou a direita sem um plano B natural. Seus herdeiros diretos, como a ex-primeira-dama Michelle ou os filhos, carregam o sobrenome como um ativo, mas também como um passivo de rejeição que, segundo analistas, tem grande crescimento eleitoral num segundo turno.

​O Dilema dos Herdeiros: Ideologia vs. Pragmatismo

​O cenário para 2026 expõe uma bifurcação clara para a oposição:

  1. A Via Radical (Dinástica): Apostar em nomes como Michelle ou Flávio Bolsonaro. Essa estratégia garante o voto fiel da base (cerca de 25% a 30% do eleitorado), mas dificulta a penetração na classe média moderada, essencial para vencer uma eleição majoritária. As pesquisas de outubro de 2025 (Paraná Pesquisas) mostraram que, embora fortes, nenhum deles supera Lula no confronto direto.
  2. A Via Pragmática (Gestão): Nomes como Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União) e Romeu Zema (Novo). O governador de São Paulo, Tarcísio, é visto pelo mercado e pela elite política como o sucessor natural "viável". No entanto, sua postura cautelosa e a recusa em radicalizar o discurso contra o judiciário geram desconfiança na base bolsonarista raiz e isso é problema sério.

​A fragilidade reside justamente na dificuldade de unificar esses dois polos. Sem Bolsonaro para arbitrar, a tendência é a fragmentação, o que pavimenta uma estrada confortável para o atual presidente.

​Lula e o "Corredor Político" Livre

​Do outro lado, o Palácio do Planalto observa. Aos 80 anos, Lula sinaliza vigor político e detém a máquina na mão. O governo conseguiu manter a taxa de desemprego controlada e os programas sociais ativos.

​O maior cabo eleitoral de Lula para 2026, ironicamente, é a desorganização de seus adversários. As pesquisas indicam que Lula lidera com grande folga os cenários de primeiro turno (oscilando na casa dos 37-38% das intenções de voto). Num sistema político polarizado, ter quase 40% de partida é uma vantagem colossal.

​Lula se beneficia do "voto de inércia": diante de uma oposição que grita sobre perseguição política mas não apresenta um projeto claro de economia ou gestão alternativo, o eleitor médio tende a optar pela continuidade e pela estabilidade.

​Conclusão: A Reinvenção Necessária

​A prisão de Bolsonaro é o fim da direita como a conhecemos desde 2018. Para ser competitiva em 2026 e evitar a reeleição de Lula, a oposição precisará realizar uma manobra arriscada: manter o eleitor bolsonarista engajado sem depender da figura de Bolsonaro, e ao mesmo tempo, conquistar o centro que rejeita o radicalismo.

​Hoje, no final de 2025, essa equação parece insolúvel. A fragilidade da direita não está na falta de votos, mas na falta de comando. E na política, vácuo de poder não dura muito tempo: ou é ocupado por uma nova liderança, ou é atropelado pelo adversário que detém a caneta. Neste momento, Lula tem a caneta, o povo,  tempo e a tática a seu favor.

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