PERDEU ZEZÉ...

A amnésia seletiva de Zezé: Quando a ingratidão desafina Mais que a voz


​A amnésia, no meio artístico, costuma ser uma ferramenta de sobrevivência. Mas, no caso de Zezé Di Camargo, ela atingiu níveis patológicos. Recentemente, o cantor sertanejo decidiu que o seu palco era pequeno demais para o seu ego e resolveu subir no palanque da crítica política, mirando o governo Lula. O problema não é a divergência de ideias — a democracia suporta o debate —, o problema é a memória curta de quem já se fartou no banquete do poder.

​Diz o ditado popular, com a sabedoria que falta a muitos ídolos, que "não se cospe no prato em que se comeu". Zezé, no entanto, parece ter desenvolvido uma mira certeira para o próprio prato. É de uma audácia (ou de uma falta de elegância absoluta) ver um artista que viu sua carreira ser impulsionada e sua indústria ser robustamente protegida durante as gestões petistas, agora posar de paladino da indignação.

​O Silêncio que Vale Ouro

​Zezé perdeu uma oportunidade de ouro: a de ficar de boca fechada. Ao atacar o atual governo, ele ignora o fato de que o sucesso estrondoso de "Dois Filhos de Francisco" e a própria ascensão do agronegócio — que sustenta o seu gênero musical — foram pavimentados por políticas de incentivo e créditos que hoje ele parece considerar "pecaminosos".

​A postura atual do cantor soa como aquela nota aguda que ele já não consegue mais alcançar: forçada, fora de tom e dolorosa de ouvir.

  • Conveniência ou Convicção? É fácil ser crítico quando se tem as contas pagas e o patrimônio blindado.
  • O Palanque da Hipocrisia: Criticar os mecanismos que, em outros tempos, foram o motor da sua visibilidade, não é coragem política; é ingratidão retórica.

​A Lição da Elegância

​A política brasileira já está saturada de polarização, mas o espetáculo da ingratidão pública consegue ser ainda mais desgastante. Se Zezé Di Camargo queria ser visto como um intelectual orgânico da direita, acabou apenas reforçando a imagem do artista que, após o sucesso, esquece as mãos que ajudaram a erguer o seu pedestal.

​No grande show da vida pública, a coerência é o instrumento mais difícil de tocar. Zezé tentou um solo de "moralidade" e acabou entregando uma performance de oportunismo. Às vezes, o melhor bis que um artista pode dar é o recolhimento. Afinal, para quem já cantou tanto sobre amor e saudade, faltou apenas cantar uma verdade simples: a de que a gratidão, ao contrário da fama, deveria ser eterna.

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