ACENDEU UM ESTOPIM

O Delírio Imperialista: O suicídio geopolítico de trump na Venezuela

​A confirmação, nesta manhã de sábado, de que forças norte-americanas atacaram a Venezuela e sequestraram um chefe de Estado soberano não é apenas um ato de pirataria internacional; é a prova cabal da demência estratégica que tomou conta da Casa Branca. Donald Trump, em seu afã de "fazer a América grande de novo", acaba de colocar o mundo à beira do abismo, tratando a soberania alheia como quintal de suas ambições petrolíferas.

A Arrogância do "Cowboy" e o Fim da Diplomacia

A justificativa de que os EUA irão "administrar" a Venezuela temporariamente para "consertar" o setor de petróleo é de um cinismo atroz. Não se trata de democracia ou liberdade; trata-se de roubo descarado de recursos, operado sob a velha e gasta fantasia de "transição". Ao agir como um senhor de engenho colonial em pleno 2026, Washington ignora que o tabuleiro geopolítico mudou. A era em que os Fuzileiros Navais podiam desembarcar impunemente no Caribe acabou, mas o Salão Oval parece ser o último a receber o memorando.

O Vespeiro Russo e Chinês

O que a miopia de Trump não enxerga — ou escolhe ignorar com uma imprudência suicida — é que a Venezuela de hoje não está isolada. Os acordos de parceria estratégica firmados por Caracas com Moscou e Pequim no final de 2025 não são pedaços de papel; são linhas vermelhas desenhadas com pólvora e aço.

  • A Muralha da China: A China já deixou claro que não aceita "bullying unilateral". Não estamos falando de notas de repúdio, mas da maior marinha do mundo em número de navios. A tecnologia de mísseis hipersônicos chinesa (como o YJ-21) torna os preciosos porta-aviões americanos alvos flutuantes obsoletos. Ao tocar na Venezuela, Trump não cutuca apenas um país latino, ele desafia o dragão que financia e constrói a infraestrutura do Sul Global.
  • O Urso no Quintal: A Rússia, com sua presença militar técnica já estabelecida em solo venezuelano, não hesitará em usar essa crise para infligir dor assimétrica aos EUA. A captura de Maduro é um convite para que Moscou posicione seus ativos estratégicos — incluindo bombardeiros e submarinos silenciosos — a uma distância desconfortável da Flórida.

O Preço da Loucura

Acreditando estar em um filme de ação dos anos 80, Trump ignora que um confronto direto hoje não seria um passeio no parque. As forças armadas americanas, já esticadas globalmente, não têm capacidade para sustentar uma ocupação em um país de geografia hostil, defendido por milícias bolivarianas e, pior, apoiado logisticamente por duas superpotências nucleares.

​Ao sequestrar Maduro, Trump não decapitou um regime; ele acendeu o pavio de um barril de pólvora global. A Venezuela pode muito bem se tornar o Vietnã do século XXI, mas com um agravante aterrorizante: desta vez, o "inimigo" tem mísseis que não podem ser interceptados e uma vontade férrea de encerrar a hegemonia do dólar. O imperialismo americano, em sua fase mais delirante e predatória, pode ter acabado de assinar sua própria sentença de irrelevância — ou de destruição mútua.

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