A CASA CAIU

Prefeito de Garopaba é detido em operação sobre contratos de lixo; gestão foi reeleita em coligação com o PL

Investigação da Polícia Civil apura supostas irregularidades em licitações e desvios de recursos públicos. Júnior Abreu (PP) contou com apoio da sigla do governador Jorginho Mello no último pleito.

Por Redação

​Uma operação da Polícia Civil de Santa Catarina, deflagrada na manhã desta quinta-feira (8), resultou na prisão preventiva do prefeito de Garopaba, Júnior de Abreu Bento (PP). A ação, batizada de "Coleta Seletiva", é conduzida pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de saneamento e coleta de resíduos no município.

​A operação cumpriu mandados de busca e apreensão na prefeitura e em residências, além de determinar o bloqueio de bens dos envolvidos, estimado em cerca de R$ 1 milhão, visando garantir o ressarcimento aos cofres públicos caso as acusações sejam comprovadas.

​O foco das investigações

​De acordo com informações preliminares da DEIC, o inquérito apura a existência de uma suposta organização criminosa que atuaria para direcionar licitações em benefício de empresas específicas do setor de limpeza urbana.

​As acusações que pesam contra o grupo envolvem crimes contra a administração pública, como corrupção passiva e ativa, fraude em licitação e enriquecimento ilícito. A polícia sustenta que haveria indícios de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos para a manutenção dos contratos sob suspeita. O esquema, segundo a investigação, teria atravessado gestões e se consolidado nos últimos anos.

​O contexto político e as alianças

​A prisão de Júnior Abreu repercute diretamente no cenário político estadual devido às alianças firmadas nas eleições de 2024. O prefeito, filiado ao Progressistas (PP), foi reeleito com uma margem expressiva de votos, ancorado pela coligação "O Trabalho Não Pode Parar".

​A chapa vitoriosa teve como um de seus principais pilares o Partido Liberal (PL), legenda do governador Jorginho Mello. Durante a campanha, a proximidade com a gestão estadual e a parceria com o PL foram utilizadas como argumentos de alinhamento político e facilitação para a vinda de recursos para Garopaba.

​Embora a investigação policial foque nos atos administrativos da prefeitura, o episódio gera um desgaste político para a base aliada. A prisão coloca em evidência a gestão municipal que, até então, era citada como exemplo de parceria entre o PP e o PL no litoral catarinense.

​Próximos passos

​Com a prisão preventiva do titular, o vice-prefeito, Guto Chaves (PP), deve assumir o comando do Executivo municipal interinamente.

​Até o fechamento desta matéria, a defesa de Júnior Abreu não havia emitido nota oficial detalhada sobre o teor das acusações. 

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