A FORÇA DA UNIÃO
*Com aval de Lula, frente ampla começa a redesenhar disputa em Santa Catarina*
_Articulado por Décio Lima e Gelson Merísio, movimento tenta reunir partidos do PSOL ao MDB para 2026_
Nos bastidores da política catarinense, começa a ganhar forma um movimento que pode reorganizar o tabuleiro eleitoral de 2026. A articulação de uma frente ampla, que vai da esquerda a setores de centro, vem sendo conduzida pelo presidente nacional do Sebrae, Décio Lima, e pelo ex-deputado estadual Gelson Merísio. O objetivo declarado é construir uma candidatura competitiva ao governo de Santa Catarina e também disputar uma vaga ao Senado, mas os nomes que ocuparão cada posição seguem em aberto. A indefinição, segundo os próprios articuladores, não é um problema. “O momento agora é de unir os democratas ao redor de uma causa. Os nomes vão ser definidos no momento adequado”, defende Décio Lima.
Nos últimos meses, conversas entre partidos e lideranças políticas intensificaram a tentativa de formar um bloco amplo no estado. A ideia é reunir forças que vão do Partido dos Trabalhadores a legendas de centro, passando por partidos como PSOL, MDB, PSB e PDT.
A movimentação ganhou novo impulso com a aproximação entre Décio Lima e Gelson Merísio, uma parceria política que começou a se consolidar nas eleições de 2022 e agora tenta evoluir para um novo projeto eleitoral. Segundo Lima, o momento exige uma articulação mais ampla do que uma simples aliança partidária. “O que estamos construindo é algo maior que os partidos. É uma frente democrática”, afirmou.
Nesse desenho, a definição de quem será candidato ao governo e quem disputará o Senado ainda não está fechada. O próprio Décio Lima admite que ambos podem ocupar qualquer uma das posições, dependendo da composição final.
*Lula como fiador político*
Um dos elementos centrais dessa articulação é o apoio direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com Lima, tanto o seu nome quanto o de Gelson Merísio aparecem respaldados por Lula, que teria incentivado a construção da frente em Santa Catarina. O presidente também teria solicitado que Merísio participasse do projeto político no estado.
Na prática, o plano é alinhar a disputa catarinense com o campo político que sustenta o governo federal. A ideia é que haja um único palanque associado a Lula no estado. Esse apoio nacional é visto pelos articuladores como um ativo importante em um território historicamente difícil para a esquerda.
Na eleição de 2022, Décio Lima chegou ao segundo turno da disputa pelo governo catarinense com cerca de 30% dos votos, um desempenho considerado expressivo dentro do campo progressista no estado. Agora, a avaliação entre aliados é de que a presença de Merísio pode ajudar a ampliar esse eleitorado.
Ex-presidente da Assembleia Legislativa e figura conhecida da política catarinense, Merísio tem trânsito em setores que tradicionalmente não votam no PT. Essa característica é vista como peça-chave para a tentativa de expansão da frente.
Nos bastidores, lideranças envolvidas no projeto acreditam que a união dessas forças pode levar novamente o grupo ao segundo turno. Apesar do discurso de unidade, a construção da frente ainda passa por negociações complexas.
Questões como filiação partidária, composição de chapa e participação de diferentes legendas ainda estão sendo discutidas. Um dos pontos sensíveis é justamente evitar que a aliança pareça construída em torno de nomes individuais. A estratégia tem sido enfatizar o projeto político antes de definir as candidaturas. “Não estamos montando uma aliança personalizada”, disse Lima ao comentar o cenário.
*Um cenário ainda aberto*
Enquanto a frente se organiza, o cenário eleitoral de Santa Catarina continua indefinido. O atual governador, Jorginho Mello, deve buscar a reeleição. Outro nome frequentemente citado é o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, que também aparece como possível candidato ao governo.
A definição dos nomes que irão competir ao senado também é foco do xadrez político catarinense. Nesse contexto, a movimentação de Décio Lima e Gelson Merísio tenta consolidar um campo competitivo antes da formalização das candidaturas. Por enquanto, porém, a principal mensagem dos articuladores é de cautela: as peças ainda estão sendo posicionadas no tabuleiro.
O que parece certo, ao menos neste momento, é que a eleição catarinense pode passar pela construção dessa frente ampla e pelo aval político de Lula aos nomes que a conduzem.
